MIGRAÇÃO DE BLOG
Amigos,
Por questões técnicas, a partir desta data passaremos a publicar os artigos no seguinte endereço:
www.kennedydiogenes.blogspot.com.
Aguardo a sua presença virtual e sua crítica.
Um abraço.
Kennedy Diógenes
Desmanchando no ar.

* Por Paulo Linhares
A coisa mais certa que Karl Marx escreveu, a direita faz questão de ignorar e a esquerda, quando ignora, é porque não faz questão de compreender esse que é o grande postulado da História: “Tudo o que é sólido desmancha no ar”.
Claro que ele não falava de nuvens nem de pássaros, mas dos impérios, das civilizações, dos sistemas de pensamento e das estrutura econômicas, dos diversos modos de produção que determinariam os ciclos históricos e que eram continuamente superados por outros, surgindo e desaparecendo naturalmente.
Com efeito, nos diversos períodos históricos da humanidade, civilizações floresceram para, depois, desaparecerem. Algumas tão completamente e sem deixar vestígios. Povos inteiros, impérios e culturas se evaporaram da face da terra, restando somente referências imprecisas. Tudo natural. Assim tem sido.
Diante da inexorável força autônoma dos fatos que compõem o mundo (essa é do filósofo Wittgenstein…), as pessoas agarram cegamente nas diversas modalidades do determinismo que, segundo se escreveu na Wikipédia, nada mais é que “a doutrina que afirma serem todos os acontecimentos, inclusive vontades e escolhas humanas, causados por acontecimentos anteriores, ou seja, o homem é fruto direto do meio, logo, destituído de liberdade total de decidir e de influir nos fenômenos em que toma parte, existe liberdade , mas esta liberdade condicionada a natureza do evento em um determinado instante”.
Assim, na visão determinista (que teve grandes adeptos, como os filósofos Baruch Spinoza, Leibniz e Hippolyte Taine, além dos cientistas Pierre Simon Laplace e Albert Einstein, só para citar os mais famosos), imprimindo-se uma força e dando-se uma direção a certa bola de bilhar arremessada, ela tomará uma trajetória estabelecida a partir do seu arremesso.
Segundo o Método de Taine, a História era feita e o homem compreendido à luz de três fatores: meio ambiente, raça e momento histórico, a partir dos quais tudo era determinável. Todavia, nas coisas da natureza até que dá para engolir o determinismo, porque as variáveis podem ser dominadas quando conhecidas. Nos eventos humanos, na História, ele passa a ser desastroso, porque as suas variáveis são infinitas e dificilmente domináveis.
Não foi sem razão que Marx (novamente ele!) escreveu que “a História se repete como farsa,” frase extraída do seu 18 Brumário de Louis Bonaparte. E assim é porque não admite amarras deterministas.
Na vida, os acontecimentos não correm nos trilhos do determinismo. Ora, em análises sobre o momento político brasileiro, muitos palpiteiros já tinham como favas contadas a vitória do líder tucano, o governador José Serra (PSDB-SP). Poucos arriscavam nas possibilidades da ministra Dilma Rousseff, atual chefe da Casa Civil da presidência da República. As últimas pesquisas realizadas pela CNT/Sensus, divulgadas em 1° de fevereiro de 2010 mostra números estonteantes: 1) Perguntado sobre quem votaria para presidente em 2010 (pesquisa espontânea), os entrevistados disseram: Lula, 18,7%; Dilma Rousseff, 9,5%; José Serra, 9,3%; Aécio Neves, 2,1%; Marina Silva, 1,6%; Ciro Gomes, 1,2%; outros, 1,9%; branco e nulo, 2,6%. Lula, que nem candidato pode ser, vai disparado na frente, seguido de Dilma… Na pesquisa estimulada, o resultado foi mais surpreendente: José Serra, 33,2%; Dilma Rousseff, 27,8%; Ciro Gomes, 11,9%; Marina Silva, 6,8%; sem candidato, 20,4%. Inegável que há uma tendência de crescimento em favor da ministra Dilma Roussef, que poderá fazê-la vencedora das eleições de outubro próximo.
O favoritismo de José Serra, cantado e decantado aos quatro ventos, desmanchou no ar. Não sei como nem porque. Sei que Lula de D. Lindu, o padrinho da candidatura de Dilma, tem o seu desempenho pessoal situado, segundo a CNT/Sensus referida, em 81,7% de aprovação, contra uma desaprovação de 13,9%. Em novembro de 2009, a aprovação do desempenho pessoal de Lula situava-se em 78,9% e a desaprovação, em 14,6%! Com um padrinho desses, amigo Chico Pinto, até nós, que não temos votos para bater nos peitos de um mísero peba, arriscaríamos um olho.
E aos deterministas de plantão, um aviso útil: uma eleição somente é decidida quando todos os votos forem contados.
* Paulo Afonso Linhares é Defensor Público-Geral do Estado, Professor de Direito, Pesquisador e Escritor.
Vence o Acre…

Por Kennedy Diógenes*
Há alguns anos, consumidores e instituições bancárias vêm travando uma verdadeira queda de braço nos contratos de empréstimos bancários, seja através de CDC (Crédito Direto ao Consumidor), ou nas aquisições de bens duráveis e imóveis, ofertados por estes a aqueles.
É que os Bancos, quando emprestam dinheiro a seus correntistas, realizam uma prática proibida pelo Decreto Federal nº 22.626/33, que é a inclusão, no cálculo dos juros remuneratórios (aqueles que pagam o capital investido), da cobrança de juros sobre juros, mais conhecidos por anatocismo.
Ou seja, se os juros forem de 5% ao mês e o empréstimo de R$ 100,00 (cem reais), a primeira parcela será, após trinta dias, de R$ 105,00 (cento e cinco reais), e a segunda, após sessenta dias, de R$ 110,25 (cento e dez reais e vinte e cinco centavos). Nesse compasso, um empréstimo de 10 parcelas custará ao consumidor, somente de anatocismo, R$ 12,89 (doze reais e oitenta e nove centavos) a mais do que é devido.
Essa prática bancária, apesar do decreto anteriormente referido, teve respaldo em uma questionada Medida Provisória editada já 36 vezes, de nº 2.087-29/01, cuja constitucionalidade está sendo analisada pelo STF, conforme já noticiado em artigo anterior nesse blog (http://kennedydiogenes.blog.digi.com.br/2009/12/02/armadilhas-dos-cartoes-de-credito/), tendo, inclusive, a declaração de inconstitucionalidade declarada pelo Pleno do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte.
A novidade é que, segundo notícia veiculada na Revista Eletrônica “Consultor Jurídico” do dia 08/02/10, o Min. Cezar Peluso, do STF, cassou uma liminar concedida pela Presidência daquela Corte em 2001, na Reclamação nº 1.897, a qual suspendia os efeitos da liminar concedida pelo Juiz da 3ª Vara Federal da Seccional do Acre, na Ação Civil Pública promovida pelo Ministério Público Federal, que determinava o afastamento da prática do anatocismo inferior a um ano pelas instituições financeiras em todo o Estado do Acre, nos contratos que viessem a firmar dali por diante.
Trocando em miúdos, a cobrança de juros sobre juros está proibida no Acre, para todas as instituições bancárias, por força de uma liminar concedida em Ação Civil Pública proposta pelo MPF daquele Estado, devendo ser revistos todos os contratos firmados neste período.
Essa, sim, é uma auspiciosa notícia para o consumidor.
Fonte: http://www.conjur.com.br/2010-fev-08/bradesco-nao-reverter-decisao-capitalizacao-juros
* Kennedy Lafaiete Fernandes Diógenes é advogado, sócio do Escritório Diógenes, Marinho e Dutra Advogados, Coordenador de Planejamento da Defensoria Pública do Estado e Membro do Conselho Estadual de Defesa do Consumidor.
Taedium Vitae

Por Roosevelt Trindade*
É o tempo que passou
O que o vento deixou
As ruínas de um projeto
Que não se realizou.
Paralelas infinitas
Que nunca se cruzarão
São segmentos da reta
Que nunca se encontrarão.
Como paredões de fogo
Ele impede a passagem
Do oxigênio puro…
Da virtude e da coragem..
É um grande tsunami
Desequilíbrio total
É o fim da existência
É o juízo final!
É não ter o que fazer
É a falta de energia
Sensação de impotência
A nefasta agonia.
Um segundo é um século
Quem espera desespera
Ansiedade evolui
Nada vem, nada prospera..
Uma espiral que traga
Toda força positiva
É um mergulho profundo
Na entranha negativa.
Raiz de todos os males
Da alma, da consciência
Demônio endiabrado
Que rouba a paciência..
Melancolia da alma
Não se tem pra onde ir
Tristeza comanda lágrimas
Não se fala, não se ri.
Quem um dia já caiu
Nas garras deste infeliz
Quer esquecer o passado
Quer voltar a ser feliz..
Quem cruza com este traste
E dele quer se livrar
Tem que ter muita coragem
E começar a lutar.
Lutar, lutar e lutar
E em Deus ter muita fé
Pra mandar o infeliz
Pro reino de Lúcifer.
* Roosevelt Trindade é poeta e artista plástico.
Joga Pedra na Geni!
Por Leidimar Murr*
A Geni é o nosso morro do careca. O morro foi apunhalado traiçoeiramente por decisões pautadas no engano, na falácia argumentativa. Argumentação que sequer se deu ao trabalho de investigar de fato o que acontece mundo afora. Se não por mérito próprio, pelo menos que se inteirassem de um termo que eu me atrevo a introduzir como pauta de discussão ambiental no nosso Rio Grande do Norte. O termo é es-té-ti-ca am-bi-en-tal.
Resolvi soletrar para que os analfabetos funcionais com diploma superior e/ou apenas com muito dinheiro no bolso (ou talvez nem tanto) saibam pelo menos escrever já que não conhecem o seu significado. Há muito que os gabaritos das construções em cidades litorâneas seguem (ou pelo menos deveriam seguir) uma proporção crescente em sua altura: quanto mais próximas do mar mais baixas devem ser as obras de forma que à beira-mar jamais se construa prédios com as dimensões vistasem Ponta Negra. Muito menos deveria sê-lo no pé do Morro do Careca.Enquanto São Paulo dá mostras do “atraso rico” que reafirma o Brasil na condição de subdesenvolvido apesar da economia emergente, com as construções e até mesmo estradas nas encostas de morros que começam a desabar certamente não por obra das chuvas, mas das falhas gritantes de planejamento urbano, Natal dá mostras de que quer imitar o desastre.
São tantos prédios em Ponta Negra sem a devida infra-estrutura que nesse sentido, claro que mais um não faria diferença não fosse justamente afetar o cartão postal da cidade: o Morro do Careca. Alguém já se perguntou por que nenhum empresário (até mesmo aqueles com dinheiro de verdade), jamais se atreveram a solicitar licença para construir dessa forma em Trancoso, na Bahia, ou na Ponta do Seixas, na Paraíba? Monumentos arquitetônicos ou naturais não podem competir visualmente com obras estilo espigão, estilo ultrapassado de uma arquitetura que chegou ao Brasil em 1929 representado pelo glamoroso edifício Martinelli e entre o final dos anos 60 e a década de 70 se alastrou principalmente pela cidade de São Paulo. Por aquela época, já sem o glamour do Martinelli, essas construções verticais eram símbolo de modernidade e permitiam que se construísse da forma mais barata possível.
Atualmente pode-se dizer que no Brasil expressam o projeto modernista abandonado mundo afora e tomado no Brasil ainda como símbolo de modernidade. São os antecedentes das favelas verticais e de sérios outros problemas como os ambientais quando construídos na hora e lugar errados. Nessa empreitada, as capitais de um Brasil emergente arriscam seus últimos recursos subindo no trem que já está voltando com malas cheias de esperança para uma viagem que ainda pensa ser de ida! Acorda Mané, o trem já foi e já está é de volta! Que tal uma escada rolante para a serra de Martins? Que Deus faça nem que seja de concreto o caminho para as mentes adormecidas dessa cidade que sucumbe mais pelas medidas adotadas e pelas decisões tomadas do que pela falta delas!Não teve Prefeita, nem Partido Verde que se manifestasse contra tal decisão criminosa. Apenas um ex-prefeito apático e uma promotora pública de coragem não foram suficientes para fazer parar o absurdo da empreitada.
Dra. Leidimar Pereira Murr é médica, Doutora em Bioética, Professora de Bioética do Curso de Medicina da UFRN.
O Avatar do Brasil
* Por Paulo Afonso Linhares
Na religião hindu, quando um imortal, inclusive o próprio ser supremo (o deus Vishnu, que teve várias encarnações, uma delas como Krishna) se manifesta num corpo mortal (encarnação) este passa chamar-se “Avatar”, palavra derivada do sânscrito Avatara, que significa “descida”. Assim, “Avatar” seria aquele que desceu, um deus que tomou forma humana para os hindus.
Na linguagem da informática, “avatar” são figuras criadas à imagem e semelhança do usuário, permitindo sua “impersonalização” no interior das máquinas e telas de computador, tudo como se vê do respectivo verbete na Wikipédia, a enciclopédia livre da Internet.
O diretor do premiadíssimo “Titanic”, James Cameron, agora traz a lume, depois de quase duas décadas de “incubação”, um filme intitulado “Avatar”, que utiliza novíssima tecnologia tridimensional (3D). É uma bela fantasia ecológica de quase três horas de duração que, na versão em 3D, o realismo é tanto que tem causado mal-estar em várias pessoas que a assistem. Foi uma verdadeira explosão de bilheteria.
Neste momento, três semanas após lançado, Avatar já é a terceira bilheteria da história do cinema mundial, com faturamento de 1,1 bilhão de dólares; logo acupará o lugar de maior bilheteria da história do cinema. No Brasil esse épico de ficção científica já foi visto, desde de sua estreia, por 3,5 milhões de espectadores. Vi a versão normal porque todas as três semanas que tentei as outras, as salas estavam lotadas.
Na mesma época da estreia de Avatar, chegaram aos cinemas nacionais - e nas mochilas dos vendedores de “genéricos” - o filme “Lula, o Filho do Brasil”, baseado no livro homônimo da escritora Denise Paraná, em 2003, e dirigido pelo cineasta Fábio Barreto (o mesmo indicado para o Oscar, pelo filme “O Quatrilho”). O filme narra a trajetória do presidente Lula até a morte de sua mãe Dona Lindu, quando ele era um líder sindical de 35 anos preso pela ditadura. Um filme bem feito, com excelentes atores e que conta uma bela história de vida que, todavia, jamais pode ser comparado com o Avatar de James Cameron, como têm feito alguns energúmenos da imprensa direitista. E dizem, a exemplo da sempre despeitada revista VEJA: “O fracasso Lula, o Filho do Brasil continua em cartaz, mas houve algumas surpresas em seu quarto fim de semana de exibição: o filme teve menos público que Xuxa e o Mistério da Feiurinha, que está nos cinemas há mais tempo que o que conta a história do presidente. Aos números: Lula, o filme, conseguiu um público de 31 000 pagantes contra 42 000 pessoas que foram ver Xuxa. No total, Lula, o Filho do Brasil carregou 737.000 espectadores aos cinemas. Nesta toada, será muito difícil chegar a 1 milhão de espectadores (a meta do seus produtores era bater no mínimo 5 milhões de ingressos)”, por Lauro Jardim, da coluna Radar On Line.
Essas comparações são desonestas Ora, um filme brasileiro leva 737 mil pessoas aos cinemas, em um mês, é muita coisa. Não dá para comparar com Avatar ou mesmo o Xuxa e o Mistério da Feiurinha, duas propostas de entretenimento completamente diferentes dessa fita que conta a vida do presidente Lula. Querer diferente é um absurdo. Como se todos os filmes brasileiros faturassem como os da Xuxa ou que todos os filmes estrangeiros tivessem o (fantástico) desempenho de Avatar, seguramente o filme da década. Balela. Queiram ou não os detratores gratuitos do Lula, o seu filme vai devagarinho firmar-se como uma da maiores bilheterias atingidas por um filme brasileiro. Tudo uma questão de tempo.
No mais, eleito o estadista do ano pelo participantes do Forum Econômico Mundial, em Davos, Suiça, Lula decerto que está pouco preocupado com esse besteirol de despeitados. Tem, sim, um Brasil de coisas para pensar, esse nosso avatar caboclo. É o melhor que podemos oferecer.
* Paulo Afonso Linhares é o Defensor Público-Geral do Estado, professor e pesquisador.
Amor e Paixão

* Por Roosevelt Trindade
Existe um paralelo
Ente o amor e a paixão
Um é paz, é harmonia
O outro é sofreguidão.
Amor é terno, é sereno
É coisa celestial
É o prazer mais sublime
Do pecado original.
A paixão é perigosa
Também irracional
Não respeita sentimentos
Pra ela tudo é normal.
Amor e paixão existem
É preciso separar
Amor é doce, é singelo
A paixão é de amargar.
A paixão é violenta
É uma coisa brutal
Sempre inverte valores
É cega, é descomunal.
Amor é um bem divino
Que nasce no coração
É alimento da alma
A flor da concepção.
A paixão é passageira
Como a fumaça no ar
O amor é para sempre
Ele nunca morrerá.
* Roosevelt Trindade é Poeta e artista plástico
Redinha
Por Roosevelt Trindade*
Redinha que lembra as redes
Na varanda a embalar
Os meus sonhos de criança
Que gosto de relembrar.
Sonhava eu em poder
No futuro lá voltar
Construir uma casinha
Só para nós dois morar.
O amor era sublime
Transparente como um véu
O rio pro mar corria
O mar se juntava ao céu.
Tudo era efervescência
Como a espuma do mar
Que embalava meus sonhos
De eternamente te amar.
Na ciranda dos meus sonhos
Eu suspirava e dizia:
Oh! Meu Deus que coisa boa
O mundo da fantasia.
Suave brisa em meu rosto
Sussurrava a dizer:
A vida aqui e tão bela!
Como é belo viver!
Minha querida Redinha
Oh! Ninho do pescador
Oh! Meu mundo encantado
Oh! Paraíso do amor.
* Roosevelt Trindade é poeta e artista plástico.
Penso, Logo Insisto
Por Paulo Afonso Linhares*
A natureza é bem caprichosa e prega enormes peças naqueles que têm a pretensão, mesmo que longínqua, de dominá-la. É por isso que nestes últimos dias ninguém mais fala no tão temido “efeito estufa” que, como certeza científica inabalável, vinha cada vez mais amedrontando as pessoas ante a possibilidade de degelo das calotas polares, tendo como consequência o aumento do nível dos oceanos, que afogariam as belas metrópolis litorâneas como Nova Iorque, San Francisco e Rio de Janeiro, apenas para citar as mais glamurosas.
Acharam pouco essa coisa do “efeito estufa” e fizeram uma conferência em Copenhague (assim mesmo, na língua de Camões) que, como já se antevia, findou sendo uma queda de braço entre os ricos e poderosos que querem continuar poluindo o planeta com emissões de gases que prejudicam a camada de ozônio e os pobres que muito pouco podem fazer pela saúde da biosfera em que vivemos.
Voltou-se à velha questão de como combinar desenvolvimento econômico - que sempre tem enormes e até inevitáveis impactos ambientais - e a preservação do meio ambiente. Os carros-chefes da economia mundial e maiores responsáveis pelas emissões de gases poluentes, Estados Unidos da América e China, desconversaram e se comprometeram vagamente em reduzi-las nos últimos anos, pois suas indústrias não podem parar. De quebra, quiseram jogar a batata quente para o Brasil e a Índia.
O pior de tudo foi a crença de tanta gente de que os oceanos avançariam nos continentes, que até alguns caipiras do interior de Minas Gerais, ali das imediações de Conceição do Mato Dentro e Santo Antônio do Rio Abaixo, aqueles “lugarzins bão”, já até começavam a sonhar com as belas praias daquelas paragens…
A resposta da natureza foi dura, literalmente dura e gélida: uma onda de frio glacial tem congelado todo o hemisfério norte, isto sem falar que a China, Coreia e Japão estão debaixo de neve espessa, tudo causado graves prejuízos econômicos.
De repente o planeta resolveu dar uma congeladazinha básica, chegando alguns países do norte da Europa e da América do Norte a quase 50 graus negativos (Celsius), que é insuportável para a vida humana. Nesses países congelados, neste momento, ninguém mais se lembra de “efeito estufa”.
O Ártico que estava “dissolvendo” sob efeito das mudanças climáticas, agora está tinindo de tão frio. No Brasil, a consequência dessa onda de frio foram as fortíssimas chuvas na região Sudeste, deixando um rastro de desabrigados e de tragédias como a de Angra dos Reis, no Estado do Rio de Janeiro e do interior de São Paulo. No meio de tudo os dramas pessoais: apalermado, confuso, pela perda de entes queridos e todos os poucos bens que tinha, um homem de meia-idade, comenta o veterano jornalista Villas-Bôas Correia em seu blog, exibe na mídia televisiva o seu sofrimentos: “Como vou recomeçar a vida se não existo. Perdi tudo, não tenho um documento nem um tostão no bolso. Eu não existo.” Ele não sabe, mas o alentador em tudo isso é que a sua constatação de não-existência é a prova cabal do seu existir. Recomeçar, claro que vai. Enquanto respirar terá a oportunidade de recomeços.
A propósito, uma das coisas mais belas que li foi algo que escreveu Robert Heinlein, o escritor de ficção norte-americano morto em 1988: “O ser humano deve ser capaz de trocar fraldas, planejar uma invasão, matar e desossar um leitão, governar um navio, projetar e construir um prédio, escrever um soneto, conferir o saldo de uma conta bancária, construir muralhas, colocar um osso no lugar, confortar os que morrem, receber e dar ordens, agir sozinho, cooperar, construir e solucionar equações, analisar um problema novo, programas um computador, cozinhar uma refeição saborosa, lutar com eficiência, morrer com dignidade. Especialização é coisa de inseto.” E pessimismo também, que o diga o belo ser humano que foi a médica pediatra e sanitarista Zilda Arns Neumann, fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança, morta devido ao terremoto que devastou o Haiti, nesta terça-feira, 12 de janeiro.
Mesmo diante de tantas adversidades, seu espírito de solidariedade a impelia na luta pela humanidade e insistia em resgatar para a vida pessoas, crianças sobretudo, órfãs da esperança. Ave, Zilda Arns.
* Paulo Afonso Linhares é Defensor Público Geral do Estado, Professor e Pesquisador.
A Força do Calcário

Por Paulo Linhares*
Foi na segunda gestão do prefeito Antônio Rodrigues de Carvalho - recentemente desaparecido e que, ainda, não recebeu as homenagens que Mossoró lhe deve, por justiça - que se iniciou o ciclo econômico do calcário com a instalação, em solo mossoroense, da fábrica de cimento do Grupo João Santos, a Itapetinga Agroindustrial S.A., no início dos anos ‘70 do século XX.
Estava descoberta uma nova vocação econômica da região polarizada por Mossoró que, todavia, passou as últimas três décadas em compasso de espera, com o surgimento de alguns empreendimentos, de pequeno e médio portes, baseados na indústria de transformação que tem como matéria prima o hidróxido de cálcio - composto químico de fórmula Ca(OH)2 e conhecido como cal -, sobretudo na fabricação de tintas, texturas, massa de rejunte etc., sem falar na produção da cal que serve de insumo à fabricação de muitos outros produtos.
A despeito da lentidão que tem caracterizado o seu desenvolvimento na região de Mossoró, o arranjo produtivo do calcário não apenas começa a se diversificar, como ganha um enorme impulso com a instalação de mais uma planta industrial para produção de cimento pelo Grupo Votorantim Cimentos, entre os Municípios de Mossoró e Baraúna, empreendimento que ultrapassa R$ 150.000.000,00, com a geração de 1.000 empregos, diretos e indiretos, bem assim de uma produção diária de 2.000 toneladas de cimento.
A escolha do local para chantar o empreendimento por esse poderoso grupo cimenteiro, que já tem em funcionamento 23 fábricas de cimento no Brasil, segundo declarações de seus dirigentes à imprensa local, deve-se à alta qualidade da jazida de calcário da região de Mossoró isto, óbvio, sem falar no aspecto da capacidade dessa reserva.
Sobre esse aspecto, aliás, entrou para o folclore mossoroense aquela história que envolve, de modo carinhoso, o nome do megaempresário João Pereira dos Santos. Conta-se que ele determinou aos geólogos de seu staff que fizessem um levantamento das potecialidades da jazida de calcário do entorno de onde construiria a fábrica de cimento em Mossoró. Informado pelos geólogos de que essa jazida teria condições de fornecer matéria prima por cerca de 600 anos, o empresário pernambucano, recentemente falecido com mais de cem anos, teria dito: “Seiscentos anos!? Só isso! E quando acabar vou viver de quê?!”
Brincadeiras à parte, certo é que o potencial das jazidas da Chapada do Apodi é enorme, cuja exploração atual pelo cluster do calcário instalado na região talvez não consuma, anualmente, 1% desse enorme potencial.
O velho alcaide mossoroense, Dix-Huit Rosado, tinha quase uma obsessão pela nobreza do calcário de Mossoró, razão por que, repetia em seus discursos, construíra algumas importantes obras de suas gestões frente à Municipalidade, com “calcário calcítrico de 100 milhões de anos”, arrematando essa afirmação com o conselho que lhe dera certa vez, diante do Pacífico, o político peruano Victor Raul Haya de la Torre, para construir com pedras a perenidade de suas obras.
Se a exploração do calcário é ínfima diante do enorme potencial das jazidas da Chapada do Apodi, menor , ainda, é a diversificação do uso desse material, nesta região. A utilização desse composto mineral é enorme em vários ramos industriais, que vai da correção de solos agricultáveis à mais sofisticada química fina. Aliás, a pedra de calcário dolomítico (de orígem vulcânica, composto de carbonato de cálcio e magnésio cuja fórmula química é CaCO3. MgCO3) bem cortada, polida, semi-polida ou mesmo em estado estado bruto, oferece excelentes soluções arquitetônicas para pisos e revestimentos. O melhor exemplo disto é o belo conjunto de edifícios do J. Paul Getty Museum, de Los Angeles, Califórnia, cujos pisos internos são de calcário dolomítico polido e os revestimentos externos feitos com placas de calcário calcítrico (chamado de caliche, mais rico em carbonato de cálcio e formado em ambientes semi-áridos), ambos tipos de calcário abundantes na região de Mossoró.
Para se transformar na grande riqueza desta região, o calcário necessita de uma política pública específica que contemple, entre outras coisas, a construção de infra-estrutura de estradas e de um porto (em Areia Branca), além da criatividade que nasce do empreendedorismo da iniciativa privada. E torcer para que aconteça.
*Paulo Afonso Linhares é Defensor Público-Geral do Estado, Professor do Curso de Graduãção da UERN, escritor e articulista de Revistas e Jornais.
